Exu, vocábulo iorubá, significa esfera, símbolo do que não tem princípio e nem fim, do movimento constante. A esfera contém os mesmos significados do círculo que é um ponto estendido. Ela pode representar tanto às potências que estão ocultas nos ponto primordial quanto às manifestações dessas potências em todo o universo (s) criado.
Exu, fruto da união divina (Oxalá/Nanã) é o movimento, a expansão cósmica ou, se preferirmos, o elemento dinâmico que move todo processo evolutivo e garante sua continuidade. O okotô, um dos principais símbolos de Exu, caracol cuja estrutura óssea se desenvolve espiraladamente, representa essa expansão.
Nos mitos Exu é o mensageiro dos orixás, a boca que fala por eles. O Mercúrio (1) nagô carrega consigo um macete de madeira escura, o ogó, que tem a capacidade de transportá-lo velozmente a qualquer ponto do universo. Ele é Ojixé, mensageiro e transportador das oferendas. Nada chega aos orixás ou deles nos chega sem a intervenção de Exu; “sem Exu nada se faz”. É também Elegbará, o senhor, o dono da força. Na verdade, ele é a própria força (axé), sem a qual nada existiria. Seria impossível a existência individualizada sem a ação do elemento dinâmico, cuja função de agente da multiplicidade e da multiplicação (reprodução) é ressaltada pela presença de órgãos genitais nas imagens, por isso demonizado pelos missionários cristãos.
Nos terreiros nenhum rito, preceito ou cerimônia pode acontecer sem o elemento dinâmico (Exu). Mesmo que implícita ou inconscientemente, nos cultos mais distantes das tradições africanas, Exu é sempre lembrado antes de todo início. Esquecê-lo é impossibilitar a ação, o progresso.
Exu é um orixá único. Enquanto as demais divindades são canais para a manifestação das energias divinas, ele é a própria energia, o axé. Não por outro motivo, em alguns terreiros tradicionais, Exu não provoca transe possessório. Acredita-se que nenhum ser humano suportaria a vibração direta de uma energia tão pura. Normalmente é Ogun, seu irmão mitológico, quem o representa (2).
Os exus de umbanda, as entidades espirituais mais próximas do plano de existência humana, o plano físico, receberam esse nome exatamente por, de certa forma, desempenhar a atividade de mensageiros, como o orixá Exu nos mitos nagôs. Não são, como deturpadamente acreditam alguns, escravos dos orixás; são, por sua possibilidade de intensa sintonia com o plano dos homens, o elo forte entre o mundo material e o espiritual.
Exu orixá é, pois, o princípio de toda existência manifesta, dos elementos criados, da multiplicidade, da diversidade e garantia das individualidades. Nada existiria sem o "seu exu", a força em todos e em cada um, a força que assegura aquilo que é e o que virá a ser.
Jorge Luiz S. Bastos.
Colaboração Priscila Siqueira Lemos.
Notas.
(1) Mercúrio, divindade romana, correspondia ao Hermes dos gregos; era o mensageiro e interprete divino. Seu nome deriva de “merx”, mercadoria, comércio, visto que, Mercúrio, era também a divindade dos mercados e dos mercadores, assim como Exu.
Mercúrio recebia nas encruzilhadas, tal qual o mensageiro nagô, em pequenos altares, o que lhe era oferendado.
(2) Em terreiros mais tradicionais Ogun representa Exu ou acompanha as manifestações do mensageiro, nas casas em que elas ocorrem.
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