sábado, 3 de setembro de 2011

Oya, a ação da Lei.


 
       
     Se Xangô é a ideação, Oya é a atividade, a manifestação da Lei. Ele é o arquiteto das Leis que regem o universo, Ela é seu engenheiro. Nada poderia se concretizar sem a ação de Oya, um vento sagrado que agita e dá movimento a tudo o que está idealizado na mente divina.
    Oya, muito significativamente, é o orixá que, mitologicamente, assume a forma de um búfalo, a deusa que se transforma em um animal, o sagrado que se manifesta, que toma forma, se materializa. Iansã é psique (a mente) se manifestando através de Eros (o corpo).
    A manifestação da Lei divina e também da personalidade humana, bem como do mental de todos os seres, deve-se a misteriosa ação da Senhora dos Ventos: em um de seus versos encontramos; "Oya, do fundo do pensamento, extrai conceitos" e ainda; "Ela guarda a estrada para o mundo e guarda e estrada para o céu". Ora, é evidente seu papel de intermediadora entre a idealização divina e a manifestação, entre o sagrado e o natural. A deusa búfalo torna possível a manifestação do espírito em todos os planos de existência, daí receber o título de Iansã, uma contração de Iyá Mésàn Òrun, Mãe dos Nove Espaços do Além.
    Em "Oya, Um Louvor à Deusa Africana" (1), de onde retiramos os trechos (de versos) acima citados,  também parte de uma cantiga é bastante reveladora:

    "Oya, Oya, eu louvo Oya
     Pelas suas bençãos
     Ilunine-me com a inteligência
     Conduza-me para que eu não me perca no mundo
     Com cuidado, com cuidado, mulher ativa".

    A pequena espada e o iruquerê, chibata feita com pelos de rabo de búfalo, são os símbolos de Oya; é com o iruquerê (também chamado eruquerê) que a deusa controla os eguns.
    Os vários mitos que relacionam Oya aos orixás Ogun e Xangô, sendo Ogun aquele que dá direção  à expansão cósmica (movimento) e Xangô as Leis que a regem, são alegorias da ação combinada desses orixás, apesar da oposição mitológica entre "o Senhor da Guerra" e o "Senhor do Trovão", que "lutam" eternamente pelo "amor" de Oya.  


Jorge Luiz S. Bastos.
Colaboração Priscila Siqueira Lemos.

Notas.

(1) Oya, Um Louvor à Deusa Africana. Judith Gleason - Editora Bertrand Brasil.

    

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